Multifacetado pelas angústias do tempo, tenho me apresentado à vida. Numa ordem inversa, dialogo com as intempéries do viver. Gagas ou sussurradas, nem sempre as escuto, palavras malditas.Foto.
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Multifacetado pelas angústias do tempo, tenho me apresentado à vida. Numa ordem inversa, dialogo com as intempéries do viver. Gagas ou sussurradas, nem sempre as escuto, palavras malditas.
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Os gestos se repetem nas devidas proporções. A cada dia eles ganham aromas individualizantes. São emancipadores da vontade. Começo a achar que não há limites ao querer. Seus passos sintetizados vestem mascaras coletivizantes. Ecos insatisfatórios são absolvidos como melodias de incompreensão. Não há o que fazer. Viver.
A fugacidade nas obras leva-nos ao vazio latente. Esse vento gélido, soprado pela ausência de significância, intensifica a dormência existencial e provoca uma letargia pulsante. Sinto que a felicidade duradoura está sempre no amanhã. Quanto mais concreta e visionária, mais solidez encontrará no depois. Essa argamassa-conjeturante deverá se alastrar em todos os âmbitos do ser. Dessa forma, estará o homem alicerçando a felicidade no viver.
Na ordem Universal das coisas, existem fatos que não alcançamos a justificação do acontecer. Eles são classificados como superáveis e insuperáveis. Os superáveis são transpostos por atos do querer. Os insuperáveis são companheiros do viver.
Em minha caminhada, tenho ouvido algumas vezes sobre o poder enérgico e transmutador das cores. A violeta é uma delas. Carrega em si a energia do amor. Entre as vibrações, a maior. E suspeito que o espectro produzido por elas é produtor dos mesmos efeitos, independe de compreensão.
Sempre seremos bobos no amanhã quando não olhamos o antes com a ótica da compreensão. Esse depois, muitas vezes, é observado por nós como destruidor do hoje. Isso nos transforma em escravos do instantâneo. Buscadores do sei lá o que.
O ser humano, dotado e com pleno funcionamento de suas faculdades sensoriais e mentais, usa, ininterruptamente, a visão como principal discernidor de instantes do viver. É pelos olhos que chegam ao homem as primeiras impressões do meio onde ele se encontra. Todavia, mesmo consciente de sua importância, e por mais óbvio que seja, ao ser ceifada a faculdade visual, o ser depara-se com um novo universo de percepções. Aos que tiverem oportunidade, permitam-se em diversificá-las – as faculdades sensoriais – e degustar novos momentos. Dessa forma, acredito eu, estará você expandindo o perceber. 
Para os buscadores do Eu, o maior vigilante da senda ao encontro da Reintegração é a consciência. Severa por opção, é ela que nos guia entre a multiplicidade de cores em direção à Unidade visual.
Passados trinta e quatro anos de viver, buscando esgotar as possibilidades, a vida se apresenta com mais suavidade. Sinto em mim a intensidade do amanhã. Energia latente, criadora. No hoje, esta, incidida em passos pensados e refletidos pela consciência, é canalizada e reordenada. Os impulsos destrutivos do antes são compensados por ações amplificadores da paz. São atos prospectores do amor. Processadores e abonadores do eu.
Tenho observado o tempo passar com olhos do querer. Sozinho, introspectivo e relativamente feliz. Andando no caminho de sempre, no caminho do meio. Sem demasias. Querendo, sem encontrar. Caminhando, sem tropeçar.
Entender as consequências incididas em nossos passos é uma tarefa árdua e praticamente impossível nos desencontros do viver. Sei que a maioria das palavras parecerá pequena perto de determinadas situações, mas quem quer ter um amanhã melhor, como muitos que já se passaram ou que fazem parte da vida de outro ser, é necessário acreditar e materializar os encontros no depois.
Sonhar é projetar o concretizar no amanhã. É despertar em si o querer. Muitas vezes associamos a palavra à abstração, é normal. No meu entender, sonhos inalcançáveis estão no plano da não arquitetização do querer.