
Li, com muito dor, o texto que a senhora me enviou.
Senti a senhora amargurada com toda a desgraça que se abateu em sua família com o assassinato do seu filho e lhe dou razão.
Chorei ao ler sua carta e lembrar que não terei condições de visitar meu filho que há muito tempo tento mostrar que a vida pode ser melhor, longe de drogas e do meio que ele está inserido.
Lembrei também das vezes que ele foi espancado e violentado pelo pai, que bêbado batia em mim e me tirava a esperança de um amanhã melhor.
Nessa época não tínhamos apoio de ninguém. Muitas vezes fui à delegacia, mas os policiais não me ouviam e diziam que era para eu ter paciência.
Como gostaria que meu filho fosse trabalhador e estudioso como o seu era. Também me conforta em saber que você tem um companheiro maravilho, coisa que o meu nunca foi.
Tem horas que acho que a vida é muito boa para uns e perversa para outros. Já pedi uma resposta ao meu Deus sobre isso, mas até o momento não entendo o que fiz a ele para merecer uma vida dessas.
Quando li sua carta, como sou mãe, entendi que você era a mãe daquele jovem que o meu filho matou estupidamente num assalto a uma vídeo locadora, onde ele, seu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite.
No próximo domingo não estarei beijando e fazendo carícias mãe, meu filho não me deixa encostar-se a ele. Vive revolta com todos, sempre repetindo que esta no inferno e que a vida é de cão.
Insisto em ir visitá-lo porque aparecem alguns representantes dessas entidades, que a senhora se referiu na carta, que me incentivam e dizem que é possível recuperá-lo e torná-lo mais humano. Mas confesso mãe, estou cansada e sua carta me incentiva a desistir.
Talvez se antes tivessem aparecido essas pessoas e eu aprendesse a lidar melhor com meu filho e com as desgraças que meu marido fez a mim e a ele, isso tudo não estava acontecendo comigo e repetidas vezes com outras pessoas no mundo.
É uma pena que NUNCA tenham aparecido “nenhum representante destas 'Entidades'” em sua casa para lhe passar uma palavra de conforto e lhe mostrar seus direitos, porque eles até poderiam lhe dar um pouco de esperança e lhe incentivar a ajudar a salvar outros filhos, de outras mães.
Fico triste com isso, é sinal que falta, no mundo, pessoas sensíveis e engajadas com a dor do próximo.
Pessoas que consigam entender que a dor do outro poderá ser sua dor amanhã.
Talvez, mãe, seja uma oportunidade da senhora se engajar e tentar mostrar isso a outras pessoas.
Com amor, de uma mãe DESILUDIDA, e também sem filho, à outra mãe DESILUDIDA sem filho.
*Circule esta resposta ao manifesto! Talvez a gente consiga acabar com toda essa revolta e não alimente toda incompreensão existem no Brasil e no mundo!
OBS: escrevi esse texto sem preocupação estética e com normas gramaticais, foi um desabafo. Espero que sirva para reflexão.
OBS1: O texto é uma resposta ao manifesto escrito por Romeu Prisco
Foto: Olhares