7/16/2008

Palavras

‘A palavra foi dada ao homem para explicar os seus pensamentos, e assim como os pensamentos são os retratos das coisas, da mesma forma as nossas palavras são retratos dos nossos pensamentos’
Via
[Molière]

O agir ilógico aos olhos de quem vê

Hoje foi um dia muito difícil! Busco e não encontro. Gostaria de alcançar a compreensão de certos instantes. Como alcançar a complexidade do ser? Acho que nem em muitas encarnações captarei este emaranhado que é o ser humano. Tenho a impressão que cada ser carrega em si todas as possibilidades do viver. Cada um representando o mínimo e máximo da existência.

A única certeza que me resta é que regras, em termos do viver, não existem e que o fluxo nunca cessa. Estas (as regras dos homens) só existem para tornar a vida mais palpável e lógica, nada mais. Como sempre repito, a lógica esta nos olhos de quem vê.
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Independência

“A independência é o privilégio dos fortes, da reduzida minoria que tem o calor de auto-afirmar-se. E aquele que trata de ser independente, sem estar obrigado a isso, mostra que não apenas é forte mas também possuidor de uma audácia imensa. Aventura-se num labirinto, multiplica os mil perigos que implica a vida; se isola e se deixa arrastar por algum minotauro oculto na caverna de sua consciência. Se tal homem se extinguisse estaria tão longe da compreensão dos homens que estes nem o sentiriam nem se comoveriam em absoluto. Seu caminho está traçado, não pode voltar atrás, nem sequer lograr a compaixão dos seres humanos."
[Nietzsche]
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7/14/2008

Momento digestivo*

Quando mais instantânea é a ação do ser humano, melhor ele buscará agir. O grande desafio da humanidade é aperfeiçoar seus atos duradouros.

*O momento digestivo acontece, geralmente, de forma simultânea com a alimentação. É um dos grandes momentos de reflexão. Este é um dos instantes que me permito viajar e trazer a realidade o pensar. Devanear!!!

Foto: Olhares

7/12/2008

Uma transa gramatical

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.

Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida.

E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.

Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir.

E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, e a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.

Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo.

Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.

Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa.

Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.

Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.

Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.

Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.

É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.

Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.

Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.

Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício.

O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente.

Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto.

Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois.

Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

*Redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE Universidade Federal de Pernambuco (Recife), que venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.

Foto: Olhares

6/29/2008

De mãe para mãe

*Resposta enviada para uma mãe, de outra mãe, em SP, como resposta a uma carta anterior.

Li, com muito dor, o texto que a senhora me enviou.

Senti a senhora amargurada com toda a desgraça que se abateu em sua família com o assassinato do seu filho e lhe dou razão.

Chorei ao ler sua carta e lembrar que não terei condições de visitar meu filho que há muito tempo tento mostrar que a vida pode ser melhor, longe de drogas e do meio que ele está inserido.

Lembrei também das vezes que ele foi espancado e violentado pelo pai, que bêbado batia em mim e me tirava a esperança de um amanhã melhor.

Nessa época não tínhamos apoio de ninguém. Muitas vezes fui à delegacia, mas os policiais não me ouviam e diziam que era para eu ter paciência.

Como gostaria que meu filho fosse trabalhador e estudioso como o seu era. Também me conforta em saber que você tem um companheiro maravilho, coisa que o meu nunca foi.

Tem horas que acho que a vida é muito boa para uns e perversa para outros. Já pedi uma resposta ao meu Deus sobre isso, mas até o momento não entendo o que fiz a ele para merecer uma vida dessas.

Quando li sua carta, como sou mãe, entendi que você era a mãe daquele jovem que o meu filho matou estupidamente num assalto a uma vídeo locadora, onde ele, seu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite.

No próximo domingo não estarei beijando e fazendo carícias mãe, meu filho não me deixa encostar-se a ele. Vive revolta com todos, sempre repetindo que esta no inferno e que a vida é de cão.

Insisto em ir visitá-lo porque aparecem alguns representantes dessas entidades, que a senhora se referiu na carta, que me incentivam e dizem que é possível recuperá-lo e torná-lo mais humano. Mas confesso mãe, estou cansada e sua carta me incentiva a desistir.

Talvez se antes tivessem aparecido essas pessoas e eu aprendesse a lidar melhor com meu filho e com as desgraças que meu marido fez a mim e a ele, isso tudo não estava acontecendo comigo e repetidas vezes com outras pessoas no mundo.

É uma pena que NUNCA tenham aparecido “nenhum representante destas 'Entidades'” em sua casa para lhe passar uma palavra de conforto e lhe mostrar seus direitos, porque eles até poderiam lhe dar um pouco de esperança e lhe incentivar a ajudar a salvar outros filhos, de outras mães.

Fico triste com isso, é sinal que falta, no mundo, pessoas sensíveis e engajadas com a dor do próximo.

Pessoas que consigam entender que a dor do outro poderá ser sua dor amanhã.

Talvez, mãe, seja uma oportunidade da senhora se engajar e tentar mostrar isso a outras pessoas.

Com amor, de uma mãe DESILUDIDA, e também sem filho, à outra mãe DESILUDIDA sem filho.

*Circule esta resposta ao manifesto! Talvez a gente consiga acabar com toda essa revolta e não alimente toda incompreensão existem no Brasil e no mundo!

OBS: escrevi esse texto sem preocupação estética e com normas gramaticais, foi um desabafo. Espero que sirva para reflexão.
OBS1: O texto é uma resposta ao manifesto escrito por Romeu Prisco
Foto: Olhares

6/28/2008

Colonizando o amanhã

Como controlar o amanhã? Indubitavelmente esta é uma reflexão pontual no viver de alguém. Na maioria das vezes não formulada dessa forma, mas em gestos mais singelos, como: o que vou fazer amanhã? Todos querem ter o controle do dia seguinte. Até os seguidores do carpe diem são herdeiros das suas ações e escravos da seqüência dos fatos. A percepção que tenho é que as pessoas têm buscado uma forma de subordinar o futuro aos seus planos e expectativas do momento. Tento escapar disso. Não que ache que seja errado buscar e fazer planos. O que aconselho é que observem que nossos desejos não estão acima da coletividade e que nem sempre são os melhores. Ter tranqüilidade, e manter a observância-reflexiva, é condição sine qua non para enfrentar as vicissitudes do existir e alcançar a Paz Profunda.

Foto: Olhares.

6/04/2008

Da alegria e da tristeza

A vossa alegria é a vossa tristeza mascarada.

E o mesmo poço de onde sai o vosso riso esteve muitas vezes cheio de lágrimas.

E como poderá ser de outra maneira?

Quanto mais fundo a tristeza entrar no vosso ser, maior é a alegria que podereis conter.

A taça que contém o vosso vinho não é a mesma que foi feita no forno do oleiro?

E a lira que vos apanigua o espírito não é da mesma madeira com que foram esculpidas as facas?

Quando estiverdes alegres, olhai bem dentro do vosso coração e descobrireis que só aquele que vos deu tristezas vos dá também alegrias.

Quando estiverdes tristes, olhai novamente para dentro do vosso coração e vereis que na verdade estais a chorar por aquilo que foi a vossa alegria.

Alguns de vós dizeis, "A alegria é maior que a tristeza" e outros dirão "Não, a tristeza é maior".

Mas eu digo-vos que são inseparáveis.

Juntas vêm, e, quando uma se senta junto de vós lembrai-vos que a outra está a dormir na vossa cama.

Na verdade, estais suspensos como balanças entre a vossa tristeza e a vossa alegria.

Só quando vos esvaziais ficais em equilíbrio e imóveis.

Quando o guardador de tesouros vos erguer para pesar o seu ouro e a sua prata, nem a vossa alegria nem a vossa tristeza se devem alterar.

O Profeta (PDF)
Khalil gibran

6/03/2008

Como penso em você

Diversas vezes, durante a semana, lembro deste espaço. Como gostaria de estar colocando minhas impressões nele diariamente. O que falta, talvez, seja organização. Não sei! Como é difícil blogar. Não apenas escrever, mas acompanhar o que os outros escrevem. Sei que no processo de construção do eu, esse seria um grande trunfo. Principalmente para mim, que tanto valorizo a comunicação e o intercâmbio de “sentires”. Bom, o que posso dizer, neste momento, é que vou me esforçar mais.

3/09/2008

A alienação do sentir

Nesta última semana observei muito a vida. Constâncias incontidas em meu ser tem se apresentado de forma latente: dor, incertezas e ânsia. Tudo muito guardado e pouco materializado em ações. Agora, os primeiros passos foram dados e logo tudo isso estará dissipado em novos momentos. Suspeito, inclusive, que novos momentos como estes virão. Imagino que este é o defeito de quem vive refletindo no emaranhado de experiências sem tirar os pés no chão e com os olhos no amanhã. O eterno construir deve ser mais confortável para as mentes alienadas. Mas o que é ser alienado mesmo?

Retirei esta imagem do Olhares. Para quem gosta de fotografia, o local é perfeito.

2/26/2008

Inverdades da certeza

Conviver com incertezas da verdade é um grande drama em meu existir. Nesta diversidade de verdades e motivações fico angustiado por não abarcar às impressões dos seres. Parece ser uma idéia egoística, mas no momento ela tem lógica e dramaticidade em meu viver. Busco entender de onde vem esse medo e todas as minhas incertezas. Ser enganado não é tão ruim assim ou é?

1/05/2008

Férias?

Alguns dias distante da Capital Federal e a mente já está um pouco oxigenada. Não posso dizer que estou exatamente férias: reuniões, encontros e muitas noites perdidas – abomino.

Um universo relativamente novo. Muitas conversas, mas poucas idéias – talvez essa seja a maior limitação do relacionar-se. Como estou buscando compreender mais, então a maleabilidade tem feito parte de mim.

Tenho mais uma semana longe de casa. Sei que não serão [dias] muito diferentes das que já passei, mas vamos vivê-las e pagar para ver. Dentro do universo das possibilidades, mesmo amanhã sendo relativamente previsível, a surpresa é um elemento chave e renovador. Vida... surpreenda-me!!!

12/08/2007

" Conhecei de tudo, e guardai o que é bom!"

Palavras resumidas em verdades instantâneas do meu momento:

SEMPRE é preciso saber quando uma etapa chega ao final...

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos.
Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.

Pode dizer para si mesma que não dará mais um passo, enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos:
seus pais,
seu marido ou sua esposa,
seus amigos,
seus filhos,
sua irmã,
todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação, com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.

Por isso é tão importante [por mais doloroso que seja!] destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração, e o desfazer-se de certas lembranças, significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.

Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante!
Encerrando ciclos, não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és...

E lembra-te:

"Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão."
[Fernando Pessoa]

11/02/2007

O início, uma escolha: independente de razões

Falar sobre o amor de forma concreta talvez seja o maior erro do ser. Como sempre falo, não existem formas de amar. Ele é único e indivisível. Não está condicionado a outras formas de expressão. Usando o chavão: quem ama quer bem! E só, nada mais.

Talvez seja uma simplificação da subjetividade do sentir. É importante falar que não quero impor uma idéia. Minha vontade é de expressar, dentro da minha mínima compreensão, o que penso.

Esse post é inspirado num que eu encontrei no blog da Foxy Lady. Nele, o texto discute o amor inserido na relação. O retorno: “Nunca o amor ofereceu uma calorosa passagem de volta. Retorno totalmente feliz”.

O que posso dizer é que não existe início, nem recomeço sem vontade de estar bem e querer crescer junto. Também acho que não existem fórmulas e experiências repetidas. Nem mesmo a sua. Porque sempre temos a oportunidade de um novo começo. É importante se permitir e permitir aos outros.

O caminho sem dúvida é buscar a si.

Khalil Gibran, no Profeta, expressou um pouco do amor:

“Da mesma forma que o amor vos coroa, ele vos crucifica...”
. “... E assim como ele existe para vos fazer crescer, também, vos poda...”.
“Mas, se em vosso temor buscardes somente a paz do amor e o deleite do amor, então, seria melhor que cobrísseis a vossa nudez e passásseis ao largo da eira do amor, para entrar em um mundo monótono, onde riríeis, mas não todo o vosso riso, e choraríeis, mas não todas as vossas lágrimas...”.

10/07/2007

Caminhos

Chegará o momento em que os caminhos serão claros e quem sabe menos óbvios. Onde a certeza reforçara o talvez. E quando chegar essa hora, os sonhos não precisaram existir, porque o Todo se fará presente nas mentes conscientes. Refletir!

Pax

Senhor,

‘Quando Te pedimos paz,
devolve-nos o pedido,
que é fácil pedir sem dar...

Ensina-nos a passar
da tolerância ao Amor,
de sermos notas dispersas
a sermos uma canção.

Quando entregarmos as armas,
Ajuda-nos a entregar
Também, abertas, as almas,
Que a paz apenas sem guerra
É pouco para todos nós...

Dá-nos a paz que se faz!
Dá-nos a Paz que se dá!

10/05/2007

Escolhas

São trinta anos de viver: neste caminho de incertezas e por quês, aprendi muita coisa. O que antes era uma vida de festas e “futilidades”, hoje se tornou em um observar perene. Nestas andanças descobri que o certo é uma eterna escolha, mesmo que influenciada por fatores coletivos. E é a partir deles que nós moldamos e/ou multamos o amanhã. Felizes são aqueles que experimentam o ar e têm consciência da vida existente.

Datas: para que?

Quantas vezes rejeitei datas e fui incompreendido por não parabenizar ou fazer parte de comemorações. Sempre achei, e justifiquei, que todos os dias deveriam ser comemorados. Sejam casamentos, natais, dia dos pais, crianças e seja lá o que for. Até aniversários – que é uma das poucas datas “verdadeiras” - eu fiz questão de esquecer.

Hoje, com um pouco mais de idade tenho buscado explicações a essa negação. Talvez, de forma inconsciente, tenha rejeitado as datas por ter passado por alguma situação traumática. Talvez não. Também pode ser que devido a minha exacerbada racionalidade eu rejeite esse tipo de sistema (manipulador?). Não sei mesmo.

O certo é que sempre achei que todos os dias deveriam ser comemorados. E quando falo todos os dias não proponho uma festa ou uma vida em função de comemorações e lembranças.

Devemos comemorar quando lembrarmos do ser. Comemorar a alegria do viver. De passar e lembrar do outro com pequenos gestos. Com palavras. Um pequeno e-mail – um email direcionado, seu, sem Re. E por aí vai. Parece ser um pouco utópico, mas sonhar é preciso. Sem ele – o sonho –, não existirá mais esperança.

Difícil é viver contra todo um sistema que lhe oprime.

10/04/2007

A observação perene

Caminhando de mãos dadas ao Infinito estou. Muitas vezes não me dou conta, outras muitas, me pego transbordando de emoção. Neste momento, o medo de sentir é menor: vivo. Desde o primeiro sopro, o caminho apresentado foi à proteção, e hoje, ela não é a melhor opção.

A sensação de gratidão é constante: pelo andar, por respirar, por poder amar. Umas das grandes convicções é a possibilidade de escolha. Nesse contexto, são apresentadas opções, e por mais que se pense que não estão aliadas as outras, estão. A vida é uma só – dentro de muitas outras –, e nesse rizoma, não temos como viver momentos, e sim, Um Todo! Escolhas, escolhas, escolhas. São elas que estarão influenciando nossos (?) próximos passos. E assim a vida vai coexistindo entre muitas, perceptíveis ou não, o que importa é não parar.

Caminhar sim, soltar as mãos, jamais!

Um convite ao pensar

Este blog será a caixa de ressonância do meu pensar. Não existirão regras, sejam elas normativas ou coercitivas. Há mais de ano que ele foi criado e neste período a idéia foi sendo deixada de lado. Hoje ela parece ter um pouco mais de lógica.

Aqui espero encontrar cabeças pensantes e palavras destoantes. Doar o imaterial e absorver idéias (in)constantes. Neste primeiro post o caos do viver só ecoa em meu ser. É uma sensação próxima de estar escrevendo aqui, para o virtual – no sentido daquele que existe somente em potência.

Muita vezes busco sentido ness efemeridade que é o viver – e olhe que não sou descrente de tudo. Tenho ate uma visão próxima dos espíritas – de buscar evoluir e melhorar a cada momento. Todavia, me falta um pouco de clareza para dar continuidade ao respirar – não que eu acredite no carpe diem , longe de mim, muito menos que eu tenha vontade de ceifar minha vida.

Acho que isso é apenas o reflexo da minha tão forte dualidade. Minha não, nossa. Ou você acha que não é dual? Sim, a controvérsia! Mas também não importa, essa é apenas uma questão de visão, de olhar.

Vou parar por aqui, com a sensação que tinha muito mais a falar, mas quem passou tanto tempo sem dizer nada, pode esperar um pouco mais. Finalizo verberando: tudo está nos olhos de quem vê!